Mulher na Aviação: As primeiras pilotos no mundo e no Brasil

 

A história da aviação feminina mundial começa oficialmente na França. No dia 8 de março de 1910 (data que hoje coincide com o Dia Internacional da Mulher), Raymonde de Laroche tornou-se a primeira mulher no mundo a receber uma licença de piloto.

Nascida Élise Deroche, ela era uma atriz que se encantou pelos voos de Wilbur Wright e Charles Voisin.

Em uma época em que aviões eram estruturas frágeis de madeira e lona, Raymonde desafiou a lógica de sua era.

  • O Feito: Ela obteve o brevê nº 36 do Aéro-Club de France.
  • O Legado: Mesmo após um grave acidente que quase encerrou sua carreira, ela retornou aos céus, estabeleceu recordes de altitude e distância, e serviu como motorista militar na Primeira Guerra Mundial.

No céu brasileiro: Thereza e Anésia

No Brasil, o pioneirismo feminino tem dois nomes que voaram lado a lado, mas cujas trajetórias seguiram destinos diferentes.

Thereza de Marzo: A primeira brevetada

Em 8 de abril de 1922, Thereza de Marzo fez história ao se tornar a primeira mulher brasileira a obter o brevê de piloto (nº 76).

Determinada, Thereza chegou a rifar sua própria vitrola para pagar as aulas de voo.

  • O Obstáculo: Infelizmente, após casar-se com seu instrutor, Fritz Roesler, ela foi proibida por ele de continuar voando. O machismo da época interrompeu precocemente uma carreira brilhante, mas não apagou seu nome do topo da lista das pioneiras.

Anésia Pinheiro Machado: A lenda duradoura

Apenas um dia depois de Thereza, em 9 de abril de 1922, Anésia Pinheiro Machado recebia o brevê nº 77.

Diferente de sua contemporânea, Anésia dedicou décadas à aviação, tornando-se uma figura internacionalmente respeitada.

  • Feitos Notáveis: Foi a primeira brasileira a realizar um voo solo, a primeira a levar passageiros e a primeira a cruzar a Cordilheira dos Andes.
  • Reconhecimento: Foi declarada “Decana Mundial da Aviação Feminina” pela Federação Aeronáutica Internacional e recebeu homenagens de figuras como Santos Dumont.

A Conquista do mercado comercial: Lucy Lúpia

Enquanto as pioneiras dos anos 20 voavam por esporte ou exibição, o caminho para as linhas aéreas comerciais demorou mais a ser aberto.

Lucy Lúpia foi a primeira mulher a pilotar um avião comercial no Brasil, na década de 1970.

Ela enfrentou resistências severas das companhias da época, mas provou que a competência técnica não tem gênero, abrindo as portas para as milhares de comandantes que hoje operam jatos de grande porte pelo país.

Homenagem: As Donas do firmamento

Neste Dia da Mulher, prestamos nossa homenagem a todas aquelas que, inspiradas por Raymonde, Thereza, Anésia e Lucy, continuam a elevar o padrão de excelência na aviação.

Ser mulher na aviação é, ainda hoje, um ato de resistência e paixão.

É lidar com escalas exaustivas, com a distância da família e, por vezes, com o olhar de dúvida de quem ainda não entendeu que o manche não conhece gênero.

A todas as pilotas, comissárias, mecânicas, controladoras de voo e engenheiras aeronáuticas: obrigado por manterem vivos os sonhos das pioneiras.

Que sua trajetória inspire novas gerações de meninas a olharem para cima e saberem que, com estudo e coragem, elas também podem comandar o seu próprio destino.

Feliz Dia da Mulher!

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